terça-feira, 10 de junho de 2008

Questões do seminário 4

1. Os meios audiovisuais (TV, cinema, computador) interferem no interesse do leitor por leitura de qualidade? Altera a relação do leitor com o texto?

Depois de lido e compreendido o texto acho que não. Acredito que os novos meios audiovisuais são uma outra forma de informação e despertam o interesse das pessoas, porém o público leitor, na minha opinião, que têm o hábito de optar pelas leituras de qualidade sempre irá existir.
Entretanto, a formação de novos leitores é diferente. Com essa gama de informação disponível, e como o livro não é a única forma existente, os meios audiovisuais podem sim "roubar" uma fatia do mercado de livros. Sendo assim, os leitores passam a ter outras formas de leituras, através desses meios disponíveis, o que altera a relação deste leitor com o texto.

2. Será que os “instant books”, ou seja, os livros mais baratos e com textos menos complexos, que visam uma leitura mais rápida e fácil, geralmente de entretenimento, vão prevalecer na escolha dos leitores do século XXI?

Acho difícil, os clássicos sempre terão seu lugar na biblioteca de cada leitor.
Os "instant books" são, sem dúvida, fonte de interesse por serem "relaxantes" e fáceis, mas acho que para um leitor de qualidade, nada melhor que uma leitura intensa, de qualidade, a moda antiga!

PETRUCCI, A. Ler por ler: um futuro para a leitura. In: CAVALLO, G.; CHARTIER, R. A História da Leitura no Mundo Ocidental. São Paulo: Ática, 1999. vol. 2, p.203-227

terça-feira, 3 de junho de 2008

O início, o fim e o meio.

Consegui! o livro da Clarice para a roda de leitura.
Achei incrível a maneira como foi escrito: primeiro cansativo, o autor se repetia nos preparando para uma história simples; depois interessante, a gente lê num pulo só para logo saber sobre a tal nordestina.
Mas não me identifiquei com a moça, não senti pena no início, não me interessei por sua causa, passei a ter raiva dela, tal qual Rodrigo S. M. ia descrevendo sua ira por um ser tão insignificante e impotente. Depois me envolvi, quase morri de dó quando ela foi deixada pelo Olímpico...
O que realmente mais me chamou atenção (que só reparei durante nossa discussão em classe) é o fato do autor ter descrito o final do livro no início dele: "(...) Relato antigo, este, pois não quero ser modernoso e inventar modismos à guisa de originalidade. Assim é que experimentarei contra os meus hábitos uma história com começo, meio e "gran finale" seguido de silêncio e de chuva caindo."
Fico me perguntando se ela teve que retomar essa parte para escrever o final, se realmente ela pensou no final antes de escrever ou se ela foi escrevendo o livro e depois de pronto, retornou ao início para descrever o fim.
A resposta está na página 11: "Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer?"





LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. pg 11 e 13

segunda-feira, 2 de junho de 2008

dúvida

Oi Márcia,
Não estou conseguindo entrar no seu blog! Preciso ser "convidada" com outra conta de e-mail.
Também gostaria de enviar pra vc as perguntas propostas pelo nosso seminário e também o esquema feito para apresentação.
Como faço?
beijinho
Carol

quarta-feira, 21 de maio de 2008

A leitura da Clarice

Faz bastante tempo que comprei A Hora da Estrela da Clarice Lispector pra ler, quase todos os dias me preparo no sofá de casa, com a luz direta do abajur, sozinha e sem barulho para iniciar a leitura, não consigo.
O telefone (ou o interfone) toca, o Alexandre chega, a Cleo que trabalha em casa me pede alguma coisa ou eu morro de sono na primeira linha!
Quando lí a quarta capa achei muito difícil, e como tinha mais de um mês para ler um livro tão fininho, achei que não era preciso essa pressa toda. Desisto.
Penso no fim de semana inteiro, não leio.
Chega o feriado de 1º de Maio, não passo da primeira página.
Outro fim de semana, acabo o prefácio.
Na aula, conversando sobre o livro lembro da edição que ví quando fui comprar que acompanha CD com a leitura do livro, fico tentada...
Volto a tentativa da leitura, nã consigo. Que coisa estranha, uma resistência muito grande está me impedindo de ler Clarice.
Acho que é porque fiquei encantada com a nossa primeira leitura, ouço com freqüência uma adoração tão grande por ela que me assusta.
Fico com medo de não suprir minha expectativa com a leitura.
Agora, a última semana e o último feriado, resultado: vou ler de qualquer maneira!

Lispector, C. A Hora da Estrela. São Paulo, Rocco, 1998.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Leitura e televisão

Outro dia fizemos um trabalho para História da Educação onde tivemos que entrevistar a pessoa mais velha que conhecíamos e perguntar sobre seu processo de alfabetização. Minha entrevistada foi minha avó materna. Que delícia de depoimento!
Ela contou como era a escola dela, sua vida em Itu a 80 anos atrás. Fiquei bastante impressionada em como ela se lembrava de todos os detalhes, o nome da sua professora, a disposição da sala de aula, a primeira redação, a cartilha, o material, tudo.
Eu faço o maior esforço para lembrar do meu processo de leitura e escrita, que aconteceu tantos anos depois, e não consigo relatar quase nenhum fato!
Como estamos fazendo o seminário sobre o futuro da leitura no século XX, isso me fez lembrar a influência da televisão no meu processo de alfabetização e gosto pela leitura.
Minha avó lia muito, morava em cidade de interior, sua mãe era professora primária e ela, além de muito tempo disponível e poucas outras formas de diversão, tinha o hábito de ler todos os dias e todos os livros que seus pais liam. A televisão chegou bem depois do hobby da leitura já estar por muito tempo instaurado.
Tenho certeza que essa influência desses meios audiovisuais transformou a aculturação dos mais jovens, que a televisão era prática diária e quase um vício, durante todo o período de escola.
Eu por exemplo, até hoje tenho que me policiar para ler ao invés de assistir a um programa na televisão. Adoro filmes, vou ao cinema com freqüência e ler um livro fica sempre em segundo plano. Por isso que a experiência de minha avó me fascina! Toda a história dela é baseada nos modelos e personagens dos livros: nome dos irmãos e cunhados todos vindos de tragédias gregas lidas por seus pais; saga familiar; assuntos de interesse etc.
É muito bom poder ter esse contato com ela e poder fazer essas perguntas, escutar as histórias, assim me animo e quem sabe me espelho e entro a fundo neste mundo tão intrigante que é a leitura.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O conto

Só tive a chance de ler a crônica "Escrever" e "A "inspiração" não vem para todos" da Rachel de Queiroz agora. Ela fala sobre vocação e inspiração e eu aqui pensando o que devo escrever no conto que foi proposto para esta oficina. Difícil tarefa.
Sinto que, como a exigência descrita pela Rachel que os pais letrados querem de seus filhos originalidade e qualidade em seus textos, fico paralisada achando que ainda me falta criatividade e o dom da escrita.
Mesmo com uma idéia sobre o que escrever, também para mim o processo é penoso. Depois dos personagens e lugares definidos não consigo imaginar o desenrolar da história. Neste ponto esta idéia cai por terra, penso que talvez não seja tão original, e como não a anotei, é mais uma que se apaga de minha memória.
Agora, como passamos o feriado e eu não escrevi no blog, tenho certeza que a prática da escrita me facilita muito. Quanto mais escrevo mais tenho idéias do que escrever e quanto mais textos elaboro, melhor eles ficam. Quando passo muito tempo sem me exercitar na escrita ou mesmo na leitura, fico como se estivesse enferrujada, é penoso recomeçar. A minha imaginação parece um quadro em branco, sem nenhuma cor e espaços vazios.
Voltando as tarefas, leituras e práticas, torço para que eu desenferruje e volte a escrever melhor e consiga escrever um bom conto.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Ler por ler

Apesar de ainda não me sentir confortável par apresentação do seminário, as estratégias que nos ensina interpretação e boa compreensão foi muito útil!
Pela primeira vez consegui visualizar passo a passo o que devo fazer para internalizar e dominar um texto. Mesmo que o fichamento, que já estamos usando em filosofia, seja um instrumento bastante elucidativo, o resumo, o esquema, as perguntas e os exemplos para apresentação oral do seminário são bem mais completos para esta compreensão.
Tenho dificuldade de ler textos para apresentação em sala, normalmente não acabo o texto, me desconcentro pensando em outras coisas durante meu processo de leitura. Acho que quando tenho tempo para ler em partes (sendo que desta forma devo reiniciar sempre, pelo menos uma passada de olhos para retomar o entendimento) fica simples. Pude fazer isso com LER POR LER: UM FUTURO PARA LEITURA. Já tinha lido o texto em partes (!) e quando começamos a interpretação em sala de aula, em grupo, completei meu entendimento.
Daí para fazer o resumo foi bem mais fácil! O texto do meu seminário conta a história da leitura no mundo ocidental, suas crises e futuro. Depois de "mastigado" o conteúdo, os próximos passos vêm naturalmente.
Até estou achando o texto do Cavallo e do Chartier interessante!

PETRUCCI, A. Ler por ler: um futuro para a leitura. Em: CAVALLO, G. ;CHARTIER, R. A História da Leitura no Mundo Ocidental. São Paulo, Ática, 1999. vol.2, p.203 a 227

terça-feira, 15 de abril de 2008

Eu sou fã do Diogo Mainardi

Acho essa história de leitura do Mainardi fascinante! Incrível alguém que escreve tão bem, ter desistido de seus estudos universitários para ler livros recomendados por um tutor a quem ele admira. Ivan Lessa formou Diogo Mainardi, e sucitou nele o gosto pela leitura e por conseguinte, os progressos na escrita.
Gostaria também de ter um tutor, que conhecesse meu gosto e me indicasse livros, o que ler, quem sabe asim seria mais fácil. (Bel, quem sabe você não me ajuda!)
Sempre achei que iria ter muita dificuldade em escrever, mas vejo que não, o que mais está me aborrecendo é ter que ler tanta coisa para a faculdade. Eu gosto do que leio, mas o fato dos prazos é que me atrapalham.
Esse exercício de escrita no blog é muito bom, acho que vou melhorando mesmo...
Quem sabe tenha o mesmo processo com a leitura. Quanto mais se lê mais se têm vontade de ler!
Não perco nenhuma coluna do Diogo na VEJA, já é um começo não?
"Nascido na capital paulista, Mainardi viveu mais de catorze anos em Veneza, Itália. Depois, mudou-se para o Rio de Janeiro, mas declarou recentemente que vai voltar a emigrar do Brasil.Antes de morar em Veneza, ingressou na London School of Economics, mas só concluiu o primeiro ano. Em 1980, na cidade de Londres, Inglaterra, conheceu Ivan Lessa, a quem considera, ao lado de Paulo Francis, seu mentor. Segundo o próprio Mainardi, ele abandonou os estudos universitários para poder ler os livros (principalmente Graham Greene) que Ivan Lessa lhe emprestava .Mudou-se, então, para a Itália, onde casou-se com uma italiana, com quem hoje tem dois filhos. O primeiro, devido a problemas no parto, sofre de paralisia cerebral, o que obrigou Mainardi a voltar a morar no Brasil, especificamente na cidade de Rio de Janeiro.Ainda em Veneza, ao trabalhar como colunista da Revista Veja, tornou-se um forte crítico do Brasil. Em sua coluna na Veja, Mainardi tece comentários polêmicos, na maior parte das vezes dirigidos à classe política em geral."

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Imaginação e vaidade


" Regressamos assim à imaginação. A essa louca por vezes fascinante e por vezes furiosa que mora no sótão. Ser romancista é conviver felizmente com a louca lá de cima. É não ter medo de visitar todos os mundos possíveis e alguns impossíveis. Tenho outra teoria (tenho muitas: resultado da frenética laboriosidade da minha razão), segundo a qual os narradores somos seres mais dissociados ou talvez mais conscientes da dissociação que os outros. Isto é, sabemos que dentro de nós somos muitos"

MONTERO, Rosa. A Louca da Casa. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. Pág 21 e 22
"Ah, a vaidade do escritor....Podemos chegar a ser uma verdadeira peste.Talvez por nossa especial dependência do olhar alheio, ou porque a falta de critérios objetivos na hora de julgar um romance sempre nos deixe um pouco inseguros, sempre um pouco no ar; mas a vaidade, para nós, é de fato como uma droga pesada, uma injetada de reconhecimento externo que, como toda droga, nunca sacia a necessidade de aprovação de que padecemos."

MONTERO, Rosa. A Louca da Casa. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. Pág 82 e 83

Para a autora a criação, a imaginação anda lado a lado com o romancista, e este não teme qualquer que seja sua idéia, não teme ser bobagem ou sem razão, pois sabem apreciar e usar sem críticas sua imaginação. Por outro lado, em outro trecho do livro, ela descreve a vaidade que ao meu ver é uma "censura" para essa liberdade de escrever: a vaidade atormenta, já que os ecritores dependem da aprovação de seus leitores e isso acho, muitas vezes inibe ou dificulta a criação de um texto.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

A imaginação é a louca da casa.

"O romancista José Manuel Fajardo me contou uma história que por sua vez lhe foi contada por minha admirada Cristina Fernández Cubas, que aparentemente sustentava que era um fato real, algo que havia acontecido com uma tia dela, ou talvez com uma amiga da tia. O caso é que havia uma senhora, que vamos chamar por exemplo de Julia, que morava em frente a um convento de freiras enclausuradas; o apartamento, num terceiro andar,tinha uma varanda que dava para o convento, uma sólida construção do século XVII. Certo dia Julia experimentou as rosquinhas que as freiras faziam e gostou tanto que se habituou a comprar uma caixinha todos os domingos. A assiduidade de suas visitas levou-a a travar uma certa amizade com a Irmã Porteira, que ela naturalmente nunca via, mas com quem falava através da porta giratória de madeira. Conhecendo os rigores da clausura, certo dia Júlia contou à Irmã que morava bem ali na frente, no terceiro andar, naquela varanda que dava para a fachada; e que não vacilasse em pedir a sua ajuda se precisasse de qualquer coisa do mundo externo, como levar uma carta ou buscar um embrulho, ou fazer algum outro favor. A freira agradeceu e as coisas ficaram assim. Passou um ano, passaram três anos, passaram trinta anos. Certa tarde, Julia estava sozinha em casa quando bateram na porta. Abriu e se deparou com uma freira pequenina e anciã, muito limpa e enrugada. Sou a Irmã Porteira, disse a mulher cm uma voz familiar e reconhecível; anos atrás você me ofereceu sua ajuda se precisasse de alguma coisa de fora, e agora eu preciso. Pois não, respondeu Julia, diga. Queria lhe pedir, explicou a freira, que me deixasse debruçar-me na sua varanda. Estranhando, Julia fez a anciã entrar, guiou-a pelo corredor até a sala e foi para a varanda com ela. Lá ficaram as dias, imóveis e caladas, observando o convento durante um bom tempo. Afinal a freira disse: É muito bonito não é? E Julia respondeu: Sim, muito bonito. Dito isto, a Irmã Porteira regressou para o seu convento, provavelmente para nunca mais voltar a sair.
Cristina Fernández Cubas contava essa belíssima história como exemplo da maior viagem que um ser humano pode realizar. Mas para mim é algo mais, é o simbólico perfeito do que significa a narrativa. Escrever romances implica atrever-se a completar o monumental percurso que tira você de si mesmo e permite se ver no convento, no mundo, no todo. E depois de fazer esse esforço supremo de entendimento, depois de quase tocar por um instante na visão que completa e que fulmina, regressamos mancando para a nossa cela, para o encerro da nossa estreita individualidade, e tentamos nos resignar a morrer.”
MONTERO, Rosa. A Louca da Casa. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. Pág 192 e 193

Nada mais bonito do que terminar um livro sobre narrativa assim.
Que maneira delicada e tocante que a Rosa achou para comparar um gesto à função de escrever romances. Acho que esse trecho resume bem o transcorrer de todo o livro. Se vocês tiverem tempo e vontade acho que também vão adorar lê-lo de cabo a rabo!

domingo, 6 de abril de 2008

Afinal, gostei de ler

Como essa semana foi difícil pensar no que escrever no blog.
Sentei várias vezes no computador, li o blog das meninas mas não consegui arrumar assunto, talvez tenha sido influenciada pelo comentário da Márcia que me lembrou de postar sobre o objeto de estudo da oficina. Com razão, eu estava saindo totalmente do objetivo da matéria.
Retomar o meu processo de leitura e escrita na infância vai ser uma tarefa bastante difícil, já que não me lembro quase nada.
Vejo as postagens de algumas colegas que contam sobre o método de ensino das escolas onde foram alfabetizadas, de memórias quando estavam começando a escrever e ler e acho o máximo! Mas eu não tenho nenhum registro meu.Consegui resgatar meus diários, que não me deram muita informação.Lembro apenas, que já mais mocinha, meu pai lia pra mim os livros que tinha que ler pra 8ª ou 7ª série.
Eu deixava sempre pra última hora, e como tinha prova no dia seguinte de manhã, lembro que ele sentava ao meu lado no meu quarto e ia lendo em voz alta rapidamente o livro pra mim e então resumia os capítulos. Sempre me dei bem nessas provas....
Acabei de ler "A Louca da Casa" (claro que deixei pra última hora, exatamente como eu fazia naquela época, com a diferença que meu pai não leu pra mim, rsrsrs) e o início foi muito difícil, achei os livros cansativos, desinteressantes falava sobre um assunto que não me chamava à atenção de maneira nenhuma.Comecei a me empolgar quando li um pequeno "conto" sobre um dos romances da Rosa Montero, a autora, mas logo ela volta a falar sobre os escritores e seus processos de criação. Isso me entediou e eu parava de ler.
Nos dias seguintes lia mais um pouquinho e largava.
Na semana da roda de leitura, fui jantar com uma amiga e soube que "A Louca da Casa" era seu livro preferido, ela me contou algumas partes que eu não tinha lido e fiquei curiosa.
Deixei para a tarde antes da hora da aula, mas li o livro num pulo! E gostei. Confesso que pulei alguns parágrafos, li por cima outros, mas foi um prazer que nunca imaginei.

MONTERO, Rosa. A Louca da Casa. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Ler apenas para apreciar...

Depois de ler a postagem do blog da Márcia, fiquei pensando se deveria fazer esse exercício de "ler para aprender" os livros que teremos que apresentar para a classe.
Eu tenho que ler "A louca da casa" e acho que não vou conseguir fazer esse esquema de aprendizado que fazemos em textos mais difífeis, em todo livro.
Não tenho muita facilidade para ler, fico com preguiça e acabo parando, se tiver que ler para aprender, lembrando tudo de importante acho que não vou acabar o livro!
Talvez a falta de prática, ou a "obrigação" da leitura me faça desistir. Também o fato de ainda não estar conseguindo me adequar perfeitamente em um ambiente propício, ou arrumar tempo para desfrutar com prazer da leitura, também me atrapalhe.
Acabo tendo que reler o que já li, quando retomo o livro na página que eu parei, tenho sempre que voltar algumas, pois percebo que não estou prestando atenção, não consegui absorver nada.
Para captar o melhor da leitura acho que não posso estar com nenhuma outra preocupação, e só o fato de ter que ler, ter uma data pra apresentar, como uma tarefa de trabalho, me distrai e me atrapalha ao ponto de não conseguir avançar na leitura.
Quem sabe os esquemas sugeridos para aprender com a leitura, apesar de tomar muito mais tempo, me auxiliem na compreensão do livro.

Maricota




A minha sobrinha Maria é uma figura!
A filha da Ana, minha irmã, tem 4 anos. A Ana trabalha desde os 18 anos em agência de propaganda, e muito. Faz ginástica, cuida da casa e dos filhos, faz massagem com a Madalena quando dá, visita a avó e os pais com frequência, e é uma irmã muito presente!
Hoje mora com a Maria e com o Fabio que tem 6 anos. Eles tem MUITAS atividades além da escola e a Ana consegue participar de quase todas...
A Maria sempre foi precoce, ela dá baile no irmão mais velho (que eu amo de paixão, meu dindo predileto!), faz comentários de adulta, percebe bem o que está acontecendo, acolheu o irmão que voltou a fazer xixi na cama quando os pais se separaram, elabora frases memoráveis, escolhe o que vai vestir, tem uma personalidade bem forte e faz tudo sozinha: come, dorme, toma banho e amarra o tênis.
O ano passado, a Ana estava organizando uma festinha de aniversário pra ela na casa da minhã mãe. Encomendou docinhos, recreação, mandou fazer o bolo, contratou a Cinderela para fazer uma surpresa pra Maria, etc.
A duas semanas da festa, na tarde de um domingo em casa, a Ana, que estava cheia de coisas no trabalho, lembrou que precisava fazer a lista de convidados e preencher os convites. A Maria estava por ali. "Ai meu Deus, tenho que fazer seus convitinhos" disse a Ana subindo as escadas. Maria foi trás dela, sentou-se no sofá ao lado do telefone e disse: "Mãe, você está estressada! Esquece os convites, faz amanhã. Eu vou ligar pra Madalena vir aqui!"
Não é o máximo uma menina que ainda vai fazer três anos pensar nisso?

quarta-feira, 26 de março de 2008

Como Escrevo? Carlos Drummond de Andrade

"Eu sou inteiramente partidário da idéia da inspiração. Seja banal, antiquado, mas sem inspiração não se faz nem se escreve nada. A pessoa adquire a técnica de se comunicar e tem facilidade, como eu tenho, de escrever coisas. Mas aquela coisa profunda que vem das entranhas da gente, isto é inspiração... Quando estou criando um poema, eu sinto uma certa exaltação física, um certo ardor. (Pausa) Não, não exageremos; também não é um estado de transe, de levitação. Mas sinto uma espécie de emoção particular que me impele a escrever. E isso me surge até em horas imprevistas, diante de um espetáculo, de uma criança dormindo na rua, um cachorro mexendo com o rabo, uma moça. Qualquer destas coisas pode provocar na gente um estado poético. Ao lado disso, há o lado crítico, depois."

Fonte: Jornal da Tarde. São Paulo, 19 de outubro de 1986

quarta-feira, 19 de março de 2008

Mais educação de qualidade

Domingo lí uma entrevista no Estadão com a Neca Setubal.
Ela é socióloga e dava aulas no Mackenzie, quando teve filho resolver ficar mais em casa, leu Piaget, se encantou e mais tarde foi trabalhar com educação.
Junto com duas amigas criou uma pré-escola e depois acabou ficando a frentre de uma ONG a "Centec" que se preocupa em elaborar projetos pedagógicos e materiais didáticos para as escolas dos municípios mais carentes do Brasil.
O que me chama a atenção é ela dizer que mais do que a falta de emprego, a qualificação do povo é um problema que a preocupa. Para um país se tornar desenvolvido, a educação básica deve ser de qualidade e com esse abismo entre escolas e professores e a falta deles no ensino médio, isso ainda está longe de acontecer.
Precisamos pensar que o Estado, que deveria por si só dar conta dessa demanda tão urgente, não consegue educar com qualidade todas as suas crianças, portanto essas organizações são tão importantes.
É muito bacana que uma herdeira do grupo Itaú se preocupe e trabalhe com esse problema, já que a principal saída para o Brasil seja a educação de qualidade.

sábado, 15 de março de 2008

Sobre o quê escrever bem?

Eu estou aqui em casa e pensando o quanto é difícil escrever. Tenho vontade de escrever um conto, mas quando penso sobre o que vou escrever, acho que a história não é interessante, ou eu não vou conseguir passar pro papel, e desisto.

Publicar então, nossa deve ser um exercício e tanto! Por isso invejo os autores, que coragem! Pelo menos com o blog podemos ter um pouquinho dessa sensação. Escrever e ficar com aquele frio na barriga pensando o que as pessoas estão achando do quê e como escrevemos.

Já rascunhei vários esboços do que poderia vir a se tornar um texto, mas quando releio, vou resumindo tanto e acabo achando que as palavras que escolhi para contar a história não são pertinentes, mudo tudo de lugar, perco a idéia central e apago.

Ahhhh meu problema com apagar meus textos...Acho que faço isso pelas minhas características de geminiana: logo aparece outra idéia mais interessante e inicio outro conto.

Mas, eu teho fé (hehe) que em algum tempo alguma coisa sai.

domingo, 9 de março de 2008

Centros de Ensino Experimental CEE

Acabei de ler um artigo na VEJA sobre um modelo de escola pública brasileira, especificamente em Pernambuco, que achei muito interessante. Claro que não é só o governo que administra essas escolas, eles têm a ajuda de empresários da região. E por conta disso, cada uma das 33 escolas que fazem parte desse programa precisam apresentar resultados e o fazem através do desempenho dos alunos.
Os professores, por sua vez, são avaliados em quatro quesitos: alunos, diretores, pais e devem alcançar metas acadêmicas e tem um bônus no salário quando são os melhores.
Os diretores que não conseguirem que seus alunos avancem nas médias, são retirados do "comando".
A carga horária é de 9 horas por dia, e os alunos são responsáveis pela preservação dos laboratórios de ciências e das salas de aulas.
Os professores, para lecionarem nessas escolas devem ser especialistas na área que lecionam, muitos são pós graduados e passam por uma prova de conhecimentos específicos. Não podem trabalhar em outras escolas, assim têm tempo suficiente para dedicação aos alunos dos CEE.
Os prédios das escolas são muito limpos e conservados, além dos laboratórios tem computadores, mas de resto são iguaizinhos a quaisquer outros prédios de escolas públicas, o que os diferencia é um programa que exige credenciais dos professores.
Acho essa iniciativa além de maravilhosa, indispensável para o crescimento do Brasil. É uma experiência que está dando certo, inserindo alunos da rede publica em universidades federais. Gente do interior de Pernambuco que imaginava seu futuro na roça, hoje está cursando química industrial.
Não seria maravilhoso que todas as escolas públicas brasileiras passassem a adotar esse programa?

quinta-feira, 6 de março de 2008

O implacável tempo que não para

Hoje eu percebi que quanto mais coisas temos para fazer mais coisas conseguimos fazer no mesmo dia.
Na sexta-feira passada soube que tive dispensa das duas matérias que são dadas para o primeiro período na segunda e na terça-feira. Fiquei aliviada, já que como trabalho o dia inteiro estava difícil de arrumar tempo para fazer minhas coisinhas, como manicure, super mercado, ginástica etc. Achei que nesses dois primeiros dias da semana iria conseguir fazer o que precisava, me organizar pra ler o que tenho que ler pra faculdade, arrumar tempo pra todas essas coisas que estavam esquecidas, sem tempo.
que não é assim.
Como imaginei no domingo, quando ainda tinha muito tempo para fazer minhas tarefas para quarta-feira, não fiz nada. Fui deixando, deixando, até que chegou quarta-feira à tarde e eu não tinha fichado o texto para a aula de filosofia. Não tinha lido o texto do Italo e nem o texto de história.
Acabei fichando o texto ontem a tarde, e hoje, claro, não deu tempo de ir pra ginástica.
Preciso me organizar e dividir meu tempo como se só tivesse aquela horinha livre pra fazer tudo o que preciso.
Difícil tarefa não?

Os Amores Difíceis

Acabei de ler o conto do Italo Calvino: "A aventura de um leitor".

Nesse calor, me deu uma vontade louca de estar nesse "promontório" com o mar azul, deitada na toalha lendo um livro delicioso. Aliás, essa definição do autor me chamou muito atenção. Eu gosto disso: narrativas de fatos, histórias, enredo de vidas humanas. Isso é exatamente o que me dá prazer, preciso ler histórias.

Fiquei sentindo o que ele sentia, o sol esquentando, a vontade louca de continuar a ler os capítulos do livro.
De repente outra paixão, e a dúvida do que fazer, o mergulho no mar, as braçadas.
Que delícia de tarde, que delícia de férias solitárias.

Nem me chocou o fato do desinteresse do Amedeo pelas ações da vida.
Estava como ele, agora querendo ir até o final do capítulo.

Não conseguia parar, estava no trabalho, com outras coisas pra fazer e nada me detinha. É claro que a tentação que se apresentou para mim era muito desinteressante perto do que Amedeo estava passando :) porém, como uma simbiose sentia o que ele sentia.
Adorei o texto, adorei o Italo, adoro o Amedeo.

Os Amores Difíceis de Italo Calvino

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Felicidade Clandestina

Adorei. Adorei o texto. Que inveja tenho dessas histórias, sinto até uma nostalgia, uma saudade de alguma coisa que não vivi. Que delícia essa vontade de ler, de ter, de devorar um livro. De curtir, de saborear bem devagar, pra durar pra sempre!
Eu adoro ouvir essas histórias de infâncias, de memórias, de querer ardentemente alguma coisa, e nem importa se você vai conseguir ou não, o que é gostoso é querer mesmo, é ir pulando pela rua a espera do livro, a esperança.
A imaginação que se faz do objeto desejado, a mente da criança, a impressão que fica da menina má e da sua mãe que salva.
Foi bom esse contato com o texto da Clarice Lispector. Agora sei que o que gosto de ler mesmo são histórias.

Felicidade Clandestina, Clarice Lispector. Rio de Janeiro: Rocco, 1998

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Meu diário

Estou começando a "arrumar" um espaço que eu me sinta bem para ler e escrever.
Hoje acordei cedo e vim para o computador, direto para o blog, corzinhas, foto, layout, edição de textos. Preciso desse silêncio matinal, estou sozinha e consigo organizar minhas idéias melhor.

Conversei com meus pais e não descobri muitas coisas sobre minha alfabetização e meus processos de leitura e escrita, mas retomei alguns diários BEM antigos, e alguns bilhetes, cartas....Nossa engraçado, tenho a impressão que logo perdia o interesse pelo que estava fazendo.
Comecei a escrever no diário com muita empolgação, tinha 9 anos, contava história de meninos, das minhas primas, da minha irmã, da moda (hahaha, eu tinha duas mini saias e dois mini vestidos!). Falei sobre minha relação com as minhas amigas, tinha uma letra boa e me pareceu divertido a maneira como escrevi. Mas logo parei. O diário está pela metade. Não achei mais graça.

Noto isso hoje em dia, não acabo alguns dos livros que começo a ler. Deixo o final para ler depois, e nunca retomo e acabo. Primeiro pensei que tinha pena de acabar o que estava gostando e me distraindo, mas agora revendo minhas anotações mais antigas, vejo que posso ter perdido o interesse no diário e nos livros inacabados, será?

Gosto de escrever e-mails, gosto de conversar e resolver assuntos pendentes, quando acho difícil falar (quase sempre), recorro as "cartas" e me faço entender bem.
Não gosto de reler o que escrevo. Se o faço, vou logo apagando e reescrevendo, acho que fico insegura, achando que não está tão bom, talvez a prática vá me dando mais segurança. Vou tentar.


Agora vou ler o texto da Clarice Lispector.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Catar feijão

Ontem foi meu primeiro exercício de tentar entender o que se passa comigo quando estou lendo.
Curioso, que ao anotar, percebi que, conforme já havia notado, preciso de extrema concentração para compreender um texto, para que ele me chame atenção.
Preciso de silêncio, preciso estar sem nenhuma preocupação, sem nenhuma pressão, com a cabeça tranquila e vazia e de preferência sozinha.
Fico impressionada em como as pessoas tem mais facilidade para concentração, as vezes no metrô, no ônibus, com música, num ambiente de conversa, com a TV ligada, conseguem ler, estudar, escrever, criar... pra mim essa prática requer mais zelo.
Lembro que tinha dificuldade em estudar em grupo. Para entender um texto por exemplo, precisava ler para o grupo em voz alta, não conseguia me concentrar se outra pessoa o fizesse, precisava ler de novo, assim o texto ficava mais claro pra mim.
Hoje, vou conversar com meus pais para saber como foi meu processo de aprendizagem, o que eu gostava de ler, retomar meu diário, minhas "agendas".
Estou começando a gostar de escrever. Fiquei curiosa.

A educação pela pedra e depois, João Cabral de Melo Neto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Novidade

Esta é a primeira vez que eu faço um blog, estou achando uma delícia!
Acho que vou gastar horas do meu dia arrumando e escrevendo coisinhas aqui.
Quando tiver mais tempo, venho aqui contar mais um pouquinho...