quarta-feira, 21 de maio de 2008

A leitura da Clarice

Faz bastante tempo que comprei A Hora da Estrela da Clarice Lispector pra ler, quase todos os dias me preparo no sofá de casa, com a luz direta do abajur, sozinha e sem barulho para iniciar a leitura, não consigo.
O telefone (ou o interfone) toca, o Alexandre chega, a Cleo que trabalha em casa me pede alguma coisa ou eu morro de sono na primeira linha!
Quando lí a quarta capa achei muito difícil, e como tinha mais de um mês para ler um livro tão fininho, achei que não era preciso essa pressa toda. Desisto.
Penso no fim de semana inteiro, não leio.
Chega o feriado de 1º de Maio, não passo da primeira página.
Outro fim de semana, acabo o prefácio.
Na aula, conversando sobre o livro lembro da edição que ví quando fui comprar que acompanha CD com a leitura do livro, fico tentada...
Volto a tentativa da leitura, nã consigo. Que coisa estranha, uma resistência muito grande está me impedindo de ler Clarice.
Acho que é porque fiquei encantada com a nossa primeira leitura, ouço com freqüência uma adoração tão grande por ela que me assusta.
Fico com medo de não suprir minha expectativa com a leitura.
Agora, a última semana e o último feriado, resultado: vou ler de qualquer maneira!

Lispector, C. A Hora da Estrela. São Paulo, Rocco, 1998.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Leitura e televisão

Outro dia fizemos um trabalho para História da Educação onde tivemos que entrevistar a pessoa mais velha que conhecíamos e perguntar sobre seu processo de alfabetização. Minha entrevistada foi minha avó materna. Que delícia de depoimento!
Ela contou como era a escola dela, sua vida em Itu a 80 anos atrás. Fiquei bastante impressionada em como ela se lembrava de todos os detalhes, o nome da sua professora, a disposição da sala de aula, a primeira redação, a cartilha, o material, tudo.
Eu faço o maior esforço para lembrar do meu processo de leitura e escrita, que aconteceu tantos anos depois, e não consigo relatar quase nenhum fato!
Como estamos fazendo o seminário sobre o futuro da leitura no século XX, isso me fez lembrar a influência da televisão no meu processo de alfabetização e gosto pela leitura.
Minha avó lia muito, morava em cidade de interior, sua mãe era professora primária e ela, além de muito tempo disponível e poucas outras formas de diversão, tinha o hábito de ler todos os dias e todos os livros que seus pais liam. A televisão chegou bem depois do hobby da leitura já estar por muito tempo instaurado.
Tenho certeza que essa influência desses meios audiovisuais transformou a aculturação dos mais jovens, que a televisão era prática diária e quase um vício, durante todo o período de escola.
Eu por exemplo, até hoje tenho que me policiar para ler ao invés de assistir a um programa na televisão. Adoro filmes, vou ao cinema com freqüência e ler um livro fica sempre em segundo plano. Por isso que a experiência de minha avó me fascina! Toda a história dela é baseada nos modelos e personagens dos livros: nome dos irmãos e cunhados todos vindos de tragédias gregas lidas por seus pais; saga familiar; assuntos de interesse etc.
É muito bom poder ter esse contato com ela e poder fazer essas perguntas, escutar as histórias, assim me animo e quem sabe me espelho e entro a fundo neste mundo tão intrigante que é a leitura.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O conto

Só tive a chance de ler a crônica "Escrever" e "A "inspiração" não vem para todos" da Rachel de Queiroz agora. Ela fala sobre vocação e inspiração e eu aqui pensando o que devo escrever no conto que foi proposto para esta oficina. Difícil tarefa.
Sinto que, como a exigência descrita pela Rachel que os pais letrados querem de seus filhos originalidade e qualidade em seus textos, fico paralisada achando que ainda me falta criatividade e o dom da escrita.
Mesmo com uma idéia sobre o que escrever, também para mim o processo é penoso. Depois dos personagens e lugares definidos não consigo imaginar o desenrolar da história. Neste ponto esta idéia cai por terra, penso que talvez não seja tão original, e como não a anotei, é mais uma que se apaga de minha memória.
Agora, como passamos o feriado e eu não escrevi no blog, tenho certeza que a prática da escrita me facilita muito. Quanto mais escrevo mais tenho idéias do que escrever e quanto mais textos elaboro, melhor eles ficam. Quando passo muito tempo sem me exercitar na escrita ou mesmo na leitura, fico como se estivesse enferrujada, é penoso recomeçar. A minha imaginação parece um quadro em branco, sem nenhuma cor e espaços vazios.
Voltando as tarefas, leituras e práticas, torço para que eu desenferruje e volte a escrever melhor e consiga escrever um bom conto.