terça-feira, 22 de abril de 2008

Ler por ler

Apesar de ainda não me sentir confortável par apresentação do seminário, as estratégias que nos ensina interpretação e boa compreensão foi muito útil!
Pela primeira vez consegui visualizar passo a passo o que devo fazer para internalizar e dominar um texto. Mesmo que o fichamento, que já estamos usando em filosofia, seja um instrumento bastante elucidativo, o resumo, o esquema, as perguntas e os exemplos para apresentação oral do seminário são bem mais completos para esta compreensão.
Tenho dificuldade de ler textos para apresentação em sala, normalmente não acabo o texto, me desconcentro pensando em outras coisas durante meu processo de leitura. Acho que quando tenho tempo para ler em partes (sendo que desta forma devo reiniciar sempre, pelo menos uma passada de olhos para retomar o entendimento) fica simples. Pude fazer isso com LER POR LER: UM FUTURO PARA LEITURA. Já tinha lido o texto em partes (!) e quando começamos a interpretação em sala de aula, em grupo, completei meu entendimento.
Daí para fazer o resumo foi bem mais fácil! O texto do meu seminário conta a história da leitura no mundo ocidental, suas crises e futuro. Depois de "mastigado" o conteúdo, os próximos passos vêm naturalmente.
Até estou achando o texto do Cavallo e do Chartier interessante!

PETRUCCI, A. Ler por ler: um futuro para a leitura. Em: CAVALLO, G. ;CHARTIER, R. A História da Leitura no Mundo Ocidental. São Paulo, Ática, 1999. vol.2, p.203 a 227

terça-feira, 15 de abril de 2008

Eu sou fã do Diogo Mainardi

Acho essa história de leitura do Mainardi fascinante! Incrível alguém que escreve tão bem, ter desistido de seus estudos universitários para ler livros recomendados por um tutor a quem ele admira. Ivan Lessa formou Diogo Mainardi, e sucitou nele o gosto pela leitura e por conseguinte, os progressos na escrita.
Gostaria também de ter um tutor, que conhecesse meu gosto e me indicasse livros, o que ler, quem sabe asim seria mais fácil. (Bel, quem sabe você não me ajuda!)
Sempre achei que iria ter muita dificuldade em escrever, mas vejo que não, o que mais está me aborrecendo é ter que ler tanta coisa para a faculdade. Eu gosto do que leio, mas o fato dos prazos é que me atrapalham.
Esse exercício de escrita no blog é muito bom, acho que vou melhorando mesmo...
Quem sabe tenha o mesmo processo com a leitura. Quanto mais se lê mais se têm vontade de ler!
Não perco nenhuma coluna do Diogo na VEJA, já é um começo não?
"Nascido na capital paulista, Mainardi viveu mais de catorze anos em Veneza, Itália. Depois, mudou-se para o Rio de Janeiro, mas declarou recentemente que vai voltar a emigrar do Brasil.Antes de morar em Veneza, ingressou na London School of Economics, mas só concluiu o primeiro ano. Em 1980, na cidade de Londres, Inglaterra, conheceu Ivan Lessa, a quem considera, ao lado de Paulo Francis, seu mentor. Segundo o próprio Mainardi, ele abandonou os estudos universitários para poder ler os livros (principalmente Graham Greene) que Ivan Lessa lhe emprestava .Mudou-se, então, para a Itália, onde casou-se com uma italiana, com quem hoje tem dois filhos. O primeiro, devido a problemas no parto, sofre de paralisia cerebral, o que obrigou Mainardi a voltar a morar no Brasil, especificamente na cidade de Rio de Janeiro.Ainda em Veneza, ao trabalhar como colunista da Revista Veja, tornou-se um forte crítico do Brasil. Em sua coluna na Veja, Mainardi tece comentários polêmicos, na maior parte das vezes dirigidos à classe política em geral."

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Imaginação e vaidade


" Regressamos assim à imaginação. A essa louca por vezes fascinante e por vezes furiosa que mora no sótão. Ser romancista é conviver felizmente com a louca lá de cima. É não ter medo de visitar todos os mundos possíveis e alguns impossíveis. Tenho outra teoria (tenho muitas: resultado da frenética laboriosidade da minha razão), segundo a qual os narradores somos seres mais dissociados ou talvez mais conscientes da dissociação que os outros. Isto é, sabemos que dentro de nós somos muitos"

MONTERO, Rosa. A Louca da Casa. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. Pág 21 e 22
"Ah, a vaidade do escritor....Podemos chegar a ser uma verdadeira peste.Talvez por nossa especial dependência do olhar alheio, ou porque a falta de critérios objetivos na hora de julgar um romance sempre nos deixe um pouco inseguros, sempre um pouco no ar; mas a vaidade, para nós, é de fato como uma droga pesada, uma injetada de reconhecimento externo que, como toda droga, nunca sacia a necessidade de aprovação de que padecemos."

MONTERO, Rosa. A Louca da Casa. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. Pág 82 e 83

Para a autora a criação, a imaginação anda lado a lado com o romancista, e este não teme qualquer que seja sua idéia, não teme ser bobagem ou sem razão, pois sabem apreciar e usar sem críticas sua imaginação. Por outro lado, em outro trecho do livro, ela descreve a vaidade que ao meu ver é uma "censura" para essa liberdade de escrever: a vaidade atormenta, já que os ecritores dependem da aprovação de seus leitores e isso acho, muitas vezes inibe ou dificulta a criação de um texto.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

A imaginação é a louca da casa.

"O romancista José Manuel Fajardo me contou uma história que por sua vez lhe foi contada por minha admirada Cristina Fernández Cubas, que aparentemente sustentava que era um fato real, algo que havia acontecido com uma tia dela, ou talvez com uma amiga da tia. O caso é que havia uma senhora, que vamos chamar por exemplo de Julia, que morava em frente a um convento de freiras enclausuradas; o apartamento, num terceiro andar,tinha uma varanda que dava para o convento, uma sólida construção do século XVII. Certo dia Julia experimentou as rosquinhas que as freiras faziam e gostou tanto que se habituou a comprar uma caixinha todos os domingos. A assiduidade de suas visitas levou-a a travar uma certa amizade com a Irmã Porteira, que ela naturalmente nunca via, mas com quem falava através da porta giratória de madeira. Conhecendo os rigores da clausura, certo dia Júlia contou à Irmã que morava bem ali na frente, no terceiro andar, naquela varanda que dava para a fachada; e que não vacilasse em pedir a sua ajuda se precisasse de qualquer coisa do mundo externo, como levar uma carta ou buscar um embrulho, ou fazer algum outro favor. A freira agradeceu e as coisas ficaram assim. Passou um ano, passaram três anos, passaram trinta anos. Certa tarde, Julia estava sozinha em casa quando bateram na porta. Abriu e se deparou com uma freira pequenina e anciã, muito limpa e enrugada. Sou a Irmã Porteira, disse a mulher cm uma voz familiar e reconhecível; anos atrás você me ofereceu sua ajuda se precisasse de alguma coisa de fora, e agora eu preciso. Pois não, respondeu Julia, diga. Queria lhe pedir, explicou a freira, que me deixasse debruçar-me na sua varanda. Estranhando, Julia fez a anciã entrar, guiou-a pelo corredor até a sala e foi para a varanda com ela. Lá ficaram as dias, imóveis e caladas, observando o convento durante um bom tempo. Afinal a freira disse: É muito bonito não é? E Julia respondeu: Sim, muito bonito. Dito isto, a Irmã Porteira regressou para o seu convento, provavelmente para nunca mais voltar a sair.
Cristina Fernández Cubas contava essa belíssima história como exemplo da maior viagem que um ser humano pode realizar. Mas para mim é algo mais, é o simbólico perfeito do que significa a narrativa. Escrever romances implica atrever-se a completar o monumental percurso que tira você de si mesmo e permite se ver no convento, no mundo, no todo. E depois de fazer esse esforço supremo de entendimento, depois de quase tocar por um instante na visão que completa e que fulmina, regressamos mancando para a nossa cela, para o encerro da nossa estreita individualidade, e tentamos nos resignar a morrer.”
MONTERO, Rosa. A Louca da Casa. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. Pág 192 e 193

Nada mais bonito do que terminar um livro sobre narrativa assim.
Que maneira delicada e tocante que a Rosa achou para comparar um gesto à função de escrever romances. Acho que esse trecho resume bem o transcorrer de todo o livro. Se vocês tiverem tempo e vontade acho que também vão adorar lê-lo de cabo a rabo!

domingo, 6 de abril de 2008

Afinal, gostei de ler

Como essa semana foi difícil pensar no que escrever no blog.
Sentei várias vezes no computador, li o blog das meninas mas não consegui arrumar assunto, talvez tenha sido influenciada pelo comentário da Márcia que me lembrou de postar sobre o objeto de estudo da oficina. Com razão, eu estava saindo totalmente do objetivo da matéria.
Retomar o meu processo de leitura e escrita na infância vai ser uma tarefa bastante difícil, já que não me lembro quase nada.
Vejo as postagens de algumas colegas que contam sobre o método de ensino das escolas onde foram alfabetizadas, de memórias quando estavam começando a escrever e ler e acho o máximo! Mas eu não tenho nenhum registro meu.Consegui resgatar meus diários, que não me deram muita informação.Lembro apenas, que já mais mocinha, meu pai lia pra mim os livros que tinha que ler pra 8ª ou 7ª série.
Eu deixava sempre pra última hora, e como tinha prova no dia seguinte de manhã, lembro que ele sentava ao meu lado no meu quarto e ia lendo em voz alta rapidamente o livro pra mim e então resumia os capítulos. Sempre me dei bem nessas provas....
Acabei de ler "A Louca da Casa" (claro que deixei pra última hora, exatamente como eu fazia naquela época, com a diferença que meu pai não leu pra mim, rsrsrs) e o início foi muito difícil, achei os livros cansativos, desinteressantes falava sobre um assunto que não me chamava à atenção de maneira nenhuma.Comecei a me empolgar quando li um pequeno "conto" sobre um dos romances da Rosa Montero, a autora, mas logo ela volta a falar sobre os escritores e seus processos de criação. Isso me entediou e eu parava de ler.
Nos dias seguintes lia mais um pouquinho e largava.
Na semana da roda de leitura, fui jantar com uma amiga e soube que "A Louca da Casa" era seu livro preferido, ela me contou algumas partes que eu não tinha lido e fiquei curiosa.
Deixei para a tarde antes da hora da aula, mas li o livro num pulo! E gostei. Confesso que pulei alguns parágrafos, li por cima outros, mas foi um prazer que nunca imaginei.

MONTERO, Rosa. A Louca da Casa. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.